Mudar é inevitável.
Para que aquela lagarta verde, lerda e peluda da classe insecta pudesse se transformar em uma belíssima borboleta e voar a esmo ao meu redor deixando-me louca, confusa e desesperada, foi preciso a metamorfose. Mudar, é inevitável.
Para que aquela criança desproporcional e estabanada – deixe-me colocar algo relacionado ao bullying, está na moda hoje em dia, não é mesmo? – e caçoada durante a infância, se transformasse em uma das mais belas mulheres, que arranca olhares de raiva, admiração ou desejo – mas sempre de esguelho – por onde passa, além de bem sucedida profissionalmente, foi necessário a metamorfose – bem, a puberdade na verdade, mas deixe estar. Mudar é inevitável
Sendo assim, se todos somos como a mulher do meu exemplo, sofremos transformações. Uma das mudanças exigias de nós, é o amadurecimento das ideias. Algumas pessoas necessitam de um empurrão para o amadurecimento e o recebem na hora exata em que captam a mensagem do mundo: “Agora é com você. Se vire, rapaz.”, e de repente ele começa a traçar os caminhos de sua vida, só segurando as rédeas.
Outras estão tão fora do alinhamento do ciclo de responsabilidades da vida que só restam-lhes duas opções. A primeira, é que elas vivenciem algo sublime, que os façam perceber que necessitam tomar decisões e observar os fatos. Não como um empresário, que decide se investe ou não em um negócio, mas como pessoas conscientes. Pessoas que saibam das consequências e implicações de seus atos, pois não estão sozinhos no mundo.
A segunda opção é aquela dos desafortunados, que nunca recebem aquele ponta-pé inicial, aquele balde de água fria que os tirem, aos poucos, do seu mundinho particular perfeito. Tornam a situação, por mais dificultosa que seja, a seu favor. São sorrateiros, malandros, aquele tipo de pessoa que traçam um xis no chão e passam por baixo. E não importa quantas vezes no seu caminho trombem com uma pedra, não são capazes de reconhecer a mesma pedra no meio do caminho. Ôh sábio, Carlos Drummond de Andrade, o seu caminho com uma pedra para esse grupo, ainda é inútil.
De início o que eu quis que vocês entendessem é que nem tudo é um mar de rosas. Podes até não acreditar, mas aprendi, se não do jeito mais difícil, de um jeito bem complicado. E adivinhem, eu faço parte da primeira opção, aprendi essa lição em casa, quando meus pais decidiam na mesa do almoço se me mandavam para a escola particular ou a pública da esquina. Eu ainda era assustada, quieta, não tinha conhecimento de mundo, pois o meu ainda era perfeito.
E não foi só aquela vez que me fez mudar, muitas outras vieram. Já perdi a conta de quantas vezes levante-me depois de cair, mas sempre de cabeça erguida, pois o meu orgulho não me permite outra posição. Já perdi as contas de quantas vezes chorei, contei até cem para que a raiva passasse e ela não passou, de quantas vezes guardei o sentimento dentro de mim porque se eu estivesse com um sorriso no rosto estaria tudo perfeito… Perdi as contas de quantas vezes eu fiz para mim o mesmo juramento, mas continuei quebrando as minhas regras.
Eu gosto de estar assim às vezes. São esses momentos de tristeza, solidão, angustia, olhos vermelhos como os verdes de Bob Marley, com lágrimas que incessantemente navegam pelas curvas do meu rosto rechonchudo, que me fazem mudar. Pois afinal, já diz Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…”, e bater a cara de novo e de novo “…do que ter essa velha opinião formada sobre tudo”, porque quando eu erguer a cabeça novamente, voltarei mais forte e escorregadia do que quando cai. Só lamento por aqueles ou aquilo que causou a minha queda.
O melhor aprendizado, não é aquele que absorvemos de erros dos outros, mas dos nossos. Porque sentir na pele, já são outros quinhentos… (Hazel Sun)